Adelina Gimeno

Educar para Viver em CASAL

Os estudos sobre o casal são hoje de grande interesse, tanto entre os investigadores como entre a população de todas as idades. Provavelmente, o alto número de divórcios e rupturas nos casais, conjugado com as altas expectativas e a elevada valorização social da vida em casal, contribuíram para gerar este interesse.

As mudanças que sucedem nos novos casais têm aumentado nas últimas décadas, em consequência das mudanças tecnológicas, sociais e ideológicas que foram experimentadas, principalmente, nos países europeus. Estas mudanças afectam o conceito de casal, mas também afectam a sua composição e duração. O seu ciclo vital, a relação entre os seus membros e, inclusivamente, o tipo de conflitos que o casal tem que enfrentar (Rusell y Barufol, 1979; Gimeno 1999).

Em consequência, e independentemente das vantagens que trazem os novos modelos de casal, as famílias que tradicionalmente educaram os filhos e filhas para a vida de casal e para a vida familiar, encontram-se agora desorientadas; são, por isso, frequentes o desalento, a inibição e as contradições, o que acarreta a perda de controlo sobre o processo educativo e sentimentos de impotência e desesperança.

A partir de investigações sobre a qualidade da relação de casal, e a partir do enfoque sistémico ecológico defendido por Bronfebrenner, estabelecemos os pontos básicos a partir dos quais há que orientar a educação familiar, incluindo: 1) favorecer o desenvolvimento pessoal de competências dos homens e mulheres; 2) fomentar o conhecimento e ajuste mútuos (Spanier,1976, Neuberger 1998; Mossman & cols. 2008, Wagner & Mossman, 2008); e 3) construir uma rede social de apoio. Comentaremos as dificuldades e os pontos débeis que a educação familiar encontra apesar das boas intenções (Nardone, 2005, Vicent-Miller, 1995).

Do mesmo modo, perante a evidência do número crescente de divórcios e separações, defenderemos a necessidade de educar para enfrentar o divórcio, contribuindo para que este aconteça de maneira respeitosa e negociada (Sillars e cols, 2004; D’Zurilla, 1995; Ripol_millet, 2002; Musitu, 2001; Suares, 2002; Nardone e Watzlawick, 2005), diferenciando a função conjugal da função parental e evitando, para o bem de todos, o conflito e a alienação parental (Shek, 2001; Luengo e Coca, 2007).