Alan Slater

Competência numérica dos bebés?

Uma das mais importantes áreas da investigação sobre o desenvolvimento cognitivo inicial diz respeito à capacidade dos bebés compreenderem números, dado que ela conduz à posterior competência numérica e matemática. Consequentemente, há uma investigação considerável sobre este assunto e uma ampla literatura que sugerem que os bebés são capazes de representar e distinguir quer pequenas (4 ou menos) quer grandes séries de números (no último caso, quando a ratio entre as séries é da magnitude 1:2).

Para além da enumeração de pequenos números, foi ainda sugerido que os bebés também computam os resultados de manipulações de adição e subtracção. Isto foi primeiramente sugerido num estudo amplamente citado de Karen Wynn (1992). Ela mostrou a bebés de 5 meses um boneco do Mickey Mouse que depois foi escondido atrás de uma tela, e fez-lhes ver um segundo boneco ser escondido atrás da tela (criando as condições para uma adição 1 + 1). Um segundo grupo de bebés viu uma condição de subtracção comparável em que dois bonecos eram vistos e depois escondidos, sendo um tirado para criar um cenário de 2 - 1. Em ambos os casos, a tela foi removida para revelar 1 ou dois bonecos. Em ambos os casos, o bebé fixou mais longamente para o resultado inesperado de um 1 boneco na situação de adição e de 2 bonecos na situação de subtracção.

Wynn interpretou os resultados destas experiências como indicadores de que os bebés possuem a capacidade inata de realizar operações aritméticas simples, que podem ser o fundamento a partir do qual se desenvolvem as subsequentes competêncas aritméticas. Estes resultados das experiências e esta hipótese permaneceram controversos e foi apresentada uma poderosa argumentação, acompanhada por alguns dados empíricos, segundo a qual os resultados das experiências de Wynn podem ser interpretados de acordo com termos perceptuais mais simples, sem que seja necessário atribuir capacidades aritméticas aos bebés.

Nesta comunicação avaliamos estas hipóteses e descrevemos experiências concebidas para fazer a distinção entre estas intepretações possíveis. As experiências recorrem à medição do tempo de mirada e ao registo dos movimentos oculares, e comparamos os seus resultados com outros resultados experimentais recentes. Estes novos resultados experimentais são depois avaliados à luz de explicações teóricas diferentes e fazemos a questão: Os bebés podem realmente somar e subtrair?