Na história da humanidade, em todas as sociedades, os conceitos de criatividade e educação estiveram sempre presentes, revestindo-se, no entanto, de significados distintos conforme as culturas, objectivos sociais, lugar geográfico, e época em que se enquadram.
Integrando-se em diferentes paradigmas, as definições ou limites de entendimento desses conceitos em cada momento histórico são totalmente diferentes tanto de ontem para hoje como de ocidente para oriente.
O objectivo desta reflexão, sobre a problemática da educação da criatividade é o de realçar alguns procedimentos inseridos em novos paradigmas da educação artística que são, em nossa opinião, conducentes à formação de cidadãos mais preparados para o entendimento de si e do seu envolvimento social, conduzindo-os à procura de uma via de experiências optimais (Csikszentmihalyi, 1990), para as suas vidas, capacitando-os igualmente, para a criação de novas vias para a sociedade onde estão inseridos.
A importância crescente dada a esta questão leva, em documentos oficiais sobre educação artística, ao aparecimento do conceito de Literacia em Artes.
«Literacia em artes pressupõe a capacidade de comunicar e interpretar significados usando as linguagens das disciplinas artísticas. Implica a aquisição de competências e o uso de sinais e símbolos particulares, distintos em cada arte, para percepcionar e converter mensagens e significados. Requer ainda o entendimento de uma obra de arte no contexto social e cultural que a envolve e o reconhecimento das suas funções nele.» (DEB, 2001: 151)
É claro que as interrogações são muitas. A criatividade é um dom? Só alguns espíritos iluminados a experienciam? Estamos aptos a afirmar que não! A criatividade é sim, um potencial que faz parte do equipamento biológico de todos os indivíduos, em maior ou menor grau, e está associada ao pensamento criativo, cumprindo, em primeira instância, uma função adaptativa do sujeito ao meio que o rodeia, capacitando-o para a resolução de problemas quer no plano quotidiano, quer a um nível mais elevado, quando se trata de produzir rupturas no quadro conceptual de um qualquer domínio do conhecimento, aportando inovação e valor (Boden, 1991;Torre,2006).
Sendo um potencial inerente a todos os indivíduos, a questão que se põe é a de saber se podemos desenvolver a criatividade através da educação formal. Pela nossa actividade na educação artística, no campo das artes plásticas, podemos afirmar que este desenvolvimento é possível.
Sendo transversal, a nossa experiência diz-nos que é possível desenvolver a criatividade dentro de um paradigma da literacia em artes desde os primeiros anos de escolaridade até à pós-graduação.
Esta possibilidade é real tanto no que respeita à educação formal, como às formações específicas destinadas a manter e desenvolver o potencial criativo, sendo evidente que os graus de abordagem dos conteúdos da literacia artística deverão ser adequados às faixas etárias e aos públicos alvo a que se destinam as actividades.
A partir da nossa experiência profissional, vamos apresentar procedimentos tidos como boas práticas, integrando-os numa reflexão sobre a educação da criatividade no ensino básico, superior e no grau de mestrado.