A globalização e a imigração aumentaram substancialmente a diversidade étnico-cultural da sociedade e das escolas em muitos países. Esta diversidade gera oportunidades e desafios para a aprendizagem e o desenvolvimento da identidade pelos jovens.
Nesta comunicação, o meu objectivo é examinar o desenvolvimento de uma abordagem da psicologia cultural para compreender a relação entre o desenvolvimento psicológico da pessoa, por um lado, e os contextos social, cultural e institucional, por outro. Até há pouco tempo, o processo da mediação foi explorado em relação à “internalização” e assumiu um carácter assaz estático ao explorar a reconstrução psicológica das ferramentas culturais que fazem parte da herança cultural de um grupo. Contudo, esta perspectiva da mediação não é suficiente quando a atenção se centra, não na apropriação pelo indivíduo das ferramentas do seu próprio grupo, mas nas transições para novas práticas culturais. Assim, faço a pergunta: Quais são os mediadores?
Defendo que para se compreender o impacto da diversidade dos legados culturais dos estudantes e pais em escolas multiculturais é necessário examinar processos de mediação que têm em consideração novas transições, induzem novas formas de participação e exigem a criação de novos conceitos, valores e práticas (Abreu & Elbers, 2005). Isso requer explorar a mediação em termos de “externalização”, ou seja, os modos como a pessoa e os grupos sociais se apoiam, recriam e transformam os seus recursos disponíveis para responder a novos desafios. Ilustrarei estes processos com base em estudos recentes.