Apresentaremos uma abordagem comparada de dois contextos de aprendizagem, um no sector da formação profissional, o outro no quadro universitário.
O nosso objectivo é apreender as dinâmicas simultaneamente cognitivas, identitárias e de construção de sentido nas situações de formação dirigidas a jovens adultos (Perret & Perret-Clermont 2005). Para isso, apoiamo-nos em diversos trabalhos. A noção de autenticidade das actividades de formação analisada por Achtenhagen (2003) é importante para compreender a relação dos formandos com as situações de formação. O mesmo se passa com os trabalhos de Rochex (1995) sobre o sentido da experiência escolar ou de Charlot (1999) sobre a relação ao saber. As investigações sobre os processos de transição e de socialização, nomeadamente os ligados ao ingresso efectivo e projectado no mundo do trabalho, fornecem-nos também um quadro de referência indispensável. (Perret-Clermont & Zittoun, 2002; Zittoun, 2006, 2008; Perret-Clermont, Pontecorvo, Resnick, Zittoun & Burge, 2004). As nossas análises inspiram-se ainda no estudo de Aumont et Mesnier (2006), que mostram até que ponto investigar e compreender fundam a eficácia do acto de aprender.
No terreno, no seio de uma escola técnica e da sua oficina de produção automatizada, pusemos em evidência até que ponto o tipo de envolvimento dos estudantes está ligado ao sentido que atribuem às situações de aprendizagem. Mesmo no decurso de trabalhos práticos, os objectivos a atingir, a natureza das tarefas a realizar, os instrumentos utilizados, ou ainda os objectos fabricados, são, com frequência, temas de apreciação por parte dos estudantes. Os comentários dos estudantes manifestam uma preocupação de pertinência que se esbate quando consideram que as actividades de aprendizagem se afastam demasiado daquilo que pensam ser a realidade do mundo do trabalho. É desse modo que máquinas-instrumentos especialmente concebidas para dar resposta a novas necessidades de formação podem ser depreciadas pelos estudantes, que não as consideram como «verdadeiros» instrumentos. Assim, essas situações de formação são vividas pelo estudantes como pertencentes quer ao mundo da escola (induzindo, por isso mesmo, um investimento escolar) quer ao mundo profissional (mobilizando as competências dos «futuros» técnicos de construção mecânica). Isso traduz-se em frequentes mudanças de atitude ou em mico-transições no decurso da mesma actividade. A aspiração desses estudantes é deixarem para trás o estatuto de aluno, para adquirirem uma identidade profissional muito definida, que lhes é fornecida pela área de formação especializada que escolheram.
No seio da formação universitária estão presentes dinâmicas de aprendizagem análogas, com uma imbricação manifesta de apostas cognitivas, identitárias e de construção de sentido. Centrar-nos-emos no caso em áreas que não pretendem preparar para uma profissão determinada. Quando o horizonte profissional é assim tão aberto, que sentido adquirem as situações de aprendizagem ? Para que identidade remetem? Analisaremos o papel central que, no meio universitário, a estreita ligação entre o ensino e investigação desempenha na construção do sentido das actividades de estudo.