Actualmente, o e-learning, na sua acepção de ensino a distância mediado por computador e assente na Web, está associado a um novo paradigma de ensino-aprendizagem, supostamente mais adequado aos pressupostos e orientações advenientes do Processo de Bolonha e mais capaz de proporcionar a formação dos estudantes para as mutações e desafios da sociedade do conhecimento, e desenvolver as competências para as novas realidades profissionais.
A partir dos pressupostos das teorias construtivista e socioconstrutivista da aprendizagem, e crítico das bases behavioristas que suportaram anteriores gerações de EaD, o seu modelo pedagógico eleito privilegia a interacção online e a mediação colaborativa em comunidades virtuais de aprendizagem. Daí decorrem consequências como uma nova concepção do ambiente de aprendizagem, do tempo e espaço para aprender e um radical repensar do estatuto e competências do e-professor e do e-aluno.
Propomo-nos salientar as virtualidades deste paradigma do e-learning e simultaneamente equacionar alguns dos seus pontos críticos que, não acautelados, podem provocar efeitos perversos: o novo estatuto do professor, a sua formação, a selecção das estratégias e recursos educativos, a avaliação das aprendizagens e o problema do plágio electrónico, a tensão entre cooperação e competição, as vantagens e riscos da comunicação mediada por computador, entre outros. Se algumas dessas dificuldades são específicas do e-learning, outras são partilhadas com o ensino presencial e nem todas decorrem de variáveis unilateralmente associadas à modalidade presencial ou mediada electronicamente. E se o modelo do ensino presencial funcionou durante muito tempo como o modelo a replicar o melhor possível, hoje em dia a sua comparação permite salientar os pontos fortes e fracos de cada um. Por outro lado, como salienta Rosemberg, no futuro cairá o e- de e-learning pois toda a aprendizagem integrará recursos e mediação digital.
O advento da Web 2.0 obriga neste momento a repensar o paradigma e será interessante verificar se os pontos críticos se mantêm ou se os efeitos perversos podem ser mais facilmente prevenidos com a integração de novas estratégias para mobilizar os novos instrumentos que facilitam a colaboração, partilha e criação de conteúdos online.