Valérie Tartas

Aprendizagem e Desenvolvimento das referências temporais: Como é que a criança entra na cultura histórica?

Como é que a criança constrói as referências temporais? Que conceito de passado construiu a criança antes do ensino-aprendizagem da história na escola? O que sabemos acerca dos modos de pensamento «espontâneos» do tempo e o que sabemos dos modos de pensamento próprios da história?

Esta comunicação propõe-se retomar a distinção feita por Vygotsky (1934/1985) entre conceitos espontâneos ou quotidianos e conceitos científicos e ilustrar, a partir de trabalhos recentes sobre a construção de referências temporais pela criança (Nelson, 1989, 1996; Tartas, 2009) e a didáctica da história (Heimberg, 2008; Deleplace, 2006).

Partindo do postulado de que não se pode estudar o desenvolvimento dos conhecimentos sem ter em conta os instrumentos culturais que os tornam possíveis, tentaremos mostrar como a linguagem e, mais especificamente, as narrativas tal como os artefactos participam da construção do tempo. De um modo mais geral, apoiar-nos-emos sobre trabalhos acerca da relação entre o tempo, a memória e a consciência de si da criança para abrir perspectivas de investigação que permitam revisitar certas noções de psicologia do desenvolvimento situando-as na aprendizagem de uma disciplina ensinada na escola: a história.

Referências bibliográficas:

Deleplace, M. (2006). Les apprentissages conceptuels en histoire: la révolution entre sens commun et sens scolaire. In V. Haas (sous la dir.), Les savoirs du quotidien (pp.91-103). Rennes : Presses Universitaires de Rennes.

Heimberg, C. (2008). Grammaire de l’histoire et contenus épistémologiques de son enseignement-apprentissage. In M. Brossard & J. Fijalkow (Eds.)Vygotski et les recherches en éducation et en didactiques (pp.199-216). Bordeaux : Presses Universitaires de Bordeaux.

Nelson, K. (1996). Language in cognitive development: emergence of the mediated mind. Cambridge, England: Cambridge University Press.

Nelson, K. (Ed.)(1989). Narratives from the crib. Harvard: Harvard University Press.

Tartas, V. (2009). La construction du temps social par l’enfant. Bern: Peter Lang.

Vygotski, L. S. (1934/11985). Pensée et langage, trad.fr. Françoise Sève. Paris : Editions Sociales.