Como Pensar a Cultura depois de Auschwitz? Ramin Jahanbegloo
«Pode dizer-se que o principal da obra de George Steiner é orientado para o tratamento da questão acerca do que “cultura” poderia significar depois do falhanço absoluto da cultura. O Holocausto, a aniquilação sistemática, mecânica, dos judeus, perversamente organizada com eficiência burocrática, foi uma destruição da própria ideia de cultura que tinha sobrevivido até ao século XX.
Como Steiner escreve: “Sabemos que um homem pode ler Goethe e Rilke ao serão, que ele pode tocar Bach e Schubert, e voltar ao seu trabalho diário em Auschwitz de manhã.” Se Auschwitz fez parte e foi uma etapa do processo civilizacional, parece razoável dizer que Auschwitz não diz respeito apenas à Alemanha e aos judeus, mas à Humanidade como um todo. Assim, o tema da possibilidade da representação do Holocausto torna-se na questão essencial da cultura contemporânea. O paradoxo com que se debate o pensador do pós-Holocausto torna-se explicitamente num tema central do trabalho de Steiner.»
Do resumo da conferência de Ramin Jahanbegloo
Conferência no dia 24 de Novembro às 10H30, Anfiteatro A
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